terça-feira, 29 de maio de 2012

asneira...

Já tenho o moleskine para levar, e consegui uns phones quase como pretendia.

Entretanto, ontem fiz a maior asneira que poderia ter feito a 4 dias de partir: fui escalar uma parede de 80m de altura.
Quem me conhece sabe bem o verdadeiro pânico que tenho destas coisas. E a conquista que foi para mim ter conseguido subir e descer.
Na minha cabeça ecoavam uma vez mais as palavras do HD quando subi a via ferrata em agosto passado, e foi com isso que consegui.

Bem, seja como for, a adrenalina daquele feito deu cabo de mim. A ressaca foi brutal, e à noite doía-me o corpo todo.
Esta manhã... bem, digamos que no pescoço tenho as marcas do arnês. E que não há músculo que não me doa. Os dos braços é compreensível - por causa da força que fiz a subir, mas das pernas? das costas? os músculos da barriga?
Asneira... quem me manda a mim meter-me nestas andanças a 4 dias de me ir embora???

domingo, 27 de maio de 2012

porquê fazer o Caminho, agora?

O apelo do Caminho.

Comecei por querer fazer o Caminho algures em 2009/2010.
Porque sim. Porque gosto deste tipo de desafios. Porque este desafio é muito mais do que alguma vez posso sonhar.
Porque era uma aventura. Porque fazer o Caminho era uma partida rumo ao desconhecido. 
Porque entretanto cruzei-me com o blog do Rui e amei a sua descrição. Imaginei-me e quase me revi em cada palavra que ele escreveu.
Não se concretizou entretanto.
Acredito que não estava destinado ser naquela altura.

Até que... Dei comigo numa fase de me questionar a mim própria. Questionar o rumo que levo na vida. Questionar de uma forma séria e objetiva o que quero fazer a partir daqui.
Quero encontrar-me. Colocar um ponto final em algo que me inquieta e começar um novo capítulo. Nem que seja na minha cabeça apenas, na minha forma de encarar o que me rodeia.

Vou fazer o Caminho porque quero. 
Quero mesmo muito fazê-lo.
Posso atrapalhar-me na forma como explico, mas no fundo a subjetividade desta explicação é a objetividade de um querer que não se explica, mas apenas se sente. 
E o sentir não se explana...
Este querer que faz parte de mim e que agora é a altura para se revelar.
Se não o fizer, será um vazio em mim. Um espaço por preencher que não me permitirá ser eu comigo.
E eu necessito muito de ser, de estar, de me encontrar e recentrar.


quase...

A 4 dias de partir, a expectativa instala-se.
Expectativa, receio, sei lá eu o que me vai na alma.
O que fazer no primeiro dia, onde começar o primeiro passo, passar a primeira noite num sitio desconhecido e com gente desconhecida...
 
As palavras do Rui não me saem da cabeça:
Só irás fazer o Caminho só se assim o quiseres. Talvez te sintas só na primeira noite. Mas tudo muda no primeiro dia. Acredita ;)

Mas a esta distância imaginar-me lá... é difícil e um pouco assustador, tenho de confessar.
No entanto, tudo se sobrepõe a estes receios.
A vontade, a necessidade, a curiosidade. 
O apelo do Caminho.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

viagem

Se a greve da CP não me trocar as voltas, parto de Lisboa de madrugada e chego a Valença pelas 11h.
O regresso está mais complicado.
Não queria encurtar demasiado as etapas, mas a limitação do regresso condiciona esse aspeto.
Por outro lado, a saída de Santiago só é possível ou pelas 10h ou pelas 5h (sim, cinco da manhã). O que me impede de ver a cidade.
Sim, já estive em Santiago de Compostela por 2 vezes, mas com propósitos diferentes. Gostava de ter 2 horas que fosse para entrar na Catedral, percorrer a praça, ser peregrina.
Não vai ser fácil...

material

Tenho já quase todo o material.
Faltam-me 3 coisas importantes*:
- o chapéu de abas, que não encontro em lado algum desta casa.
- a bolsa de cintura - em alternativa terei de levar a do B, mas que é pequena para o que queria.
- escolher as tshirts. Quero levar coisas que me digam algo. Que transportem comigo significado, companhia, momentos ou pessoas.
- o caderno. Tal como as tshirts, quero levar algo não muito grande (por causa do peso), mas onde caiba tudo o que eu quiser escrever, sem limitações de espaço.

[update]
- Já tenho o caderno!



*A importância é relativa. Mas para mim estas escolhas são mesmo muito importantes.

domingo, 20 de maio de 2012

os livros

Eu tenho consciência de que este pensamento, analisada a essência do que quero e vou fazer, é de uma banalidade atroz.
Mas uma das coisas que aqui e agora, ainda no aconchego da minha casa, me custa pensar, é que não vou poder levar nem um livrinho.

É ridículo porque "apenas" terei livre o tempo da viagem.
É ridículo porque o tempo extra-caminhada lá será preenchido ao sabor dos dias, dos locais por onde vou passar e das pessoas que vou conhecer.
É ridículo porque sei que mesmo que levasse um livro (cujo peso não me posso arriscar a suportar),ou teria demasiado tempo para o ler e por isso a viagem seria em vão, ou não teria tempo nenhum para o ler e por isso o peso acrescido seria em vão.
Mas eu sou assim. Custa-me separar-me dos livros.

reprogramar

Era suposto sair de casa na madrugada de dia 2, para iniciar o Caminho no dia 3.
Desta forma, e fazendo as etapas com calma, chegaria a Santiago no dia 8, para regressar a casa a 9, eventualmente a 10 se se proporcionasse ficar por lá mais um dia.
Ontem soube que a miúda tem Promessa nesse mesmo dia 9, o que me vai obrigar a alterar as coisas.
Ou encurto uma etapa (ou reestruturo tudo), ou terei de partir mais cedo e regressar mais cedo.
De qualquer forma, não me agrada nada ter de alterar planos, e acima de tudo, não me agrada ter de partir com a pressão de estar em casa a uma determinada hora específica. 
E gastar mais um dia de férias...

Eu vou cumprir o Caminho.
Nos próximos 2 dias tenho de deixar tudo bem preparado. E meter férias.

sábado, 19 de maio de 2012

O início...

Quando, algures no início de 2010, encontrei o blog do Rui, verifiquei aquilo que muito no meu íntimo já sabia: eu hei-de fazer o Caminho!
Li-o de fio a pavio, em 2 ou 3 dias.
Reli-o.
Tomei notas.
Chorei, ri. Emocionei-me com o seu relato. Conheci os amigos que fez e os seus companheiros de Caminho.
Invejei-o...
Tratei de marcar na minha agenda um mês para fazer o mesmo, no ano seguinte.
Planeei, sonhei. Cheguei a enviar ao Rui um comentário sobre isso.
Claro que saiu furado...
Uma mãe de filhos pequenos, com o pai dos seus filhos num trabalho de horários e presença complicados, numa fase da minha empresa nada agradável, tudo se conjugou para que não o conseguisse fazer.

Até que em Agosto de 2011 vou aos Pirineus.
Converso com o Henrique (parece-me que nunca abordámos propriamente o assunto Caminho de Santiago), converso com o Ovelha, apercebo-me que desse por onde desse, eu tinha de o fazer.
De volta a casa, recebo um simpático mail do Rui. Respondia ao meu comentário no seu blog, e contava-me que iria partir de novo para o Caminho.

Nos últimos dois anos e meio a minha vida, o meu Eu andou por montes e vales. 
Perdi o rumo, deixei de observar objetivos. Vivia para o dia seguinte e pouco mais. 
Estar afastada de amigos e família, numa terra de que não gosto particularmente, com as responsabilidades, os filhos, os horários, a cada vez menor capacidade financeira para poder deslocar-me à minha vontade e de acordo com a necessidade da minha sanidade mental, tudo isso me fez perder o meu norte.

Até que 2012 me trouxe novas coisas. Novas pessoas. Novos desafios pessoais. Novas dúvidas e angústias.
Concluo que para me encontrar e me recentrar tenho necessidade de me perder.

Nessa procura de mim mesma, apenas uma coisa faz sentido.

Quando há coisa de um ano deixei aquele comentário no blog do Rui, o Caminho chamava por mim. Apesar de não o ter feito por constrangimentos exteriores, entendo agora (altura em que releio o Ultreya et Suseya...) que não estava de todo preparada para o fazer.

Agora é que tudo faz sentido.

O meu Caminho começa hoje...